Show interface FastEthernet

Por André Ortega, 31/08/2009 17:41

O comando show interface traz muitas informações que podemos utilizar para identificar problemas na interface, e até na rede. As vezes perdemos muito tempo atrás de uma informação que poderia ser encontrada analisando este comando.

No início é um tanto confuso interpretar essas informações (giants, overrun, BW100000,…), mas para facilitar segue abaixo a explicação para a maioria dos dados apresentados pelo comando show interface em uma interface FastEthernet.

Principais informações

FastEthernet0 is up: Indica que a interface (hardware) está ativa.

Line protocol is up: Indica que a parte lógica (software/processos/protocolos) da interface está ok.

MTU 1500 bytes: Tamanho máximo dos pacotes transmitidos pela interface.

BW 100000 Kbit: Banda da interface em kilobits por segundos. Pode ser configurado com o comando bandwith.

DLY 100 usec: Delay da interface em microsegundos.

reliability 255/255: Confiabilidade da interface, onde 255 é o máximo (100%). Se existir problemas na camada 1 ou 2 a confiabilidade diminui (241/255, por exemplo).

txload 1/255, rxload 1/255: Carga da interface, onde 255/255 indica 100% de utilização. O cálculo é feito baseado no valor indicado no comando bandwith (tx = transmitido e rx = recebido).

Encapsulation ARPA: Tipo de encapsulamento utilizado.

Keepalive set (10 sec): A cada 10 segundos um keepalive é enviado para verificar se a interface está “viva”.

Full-duplex, 100Mb/s, 100BaseTX/FX: Velocidade, estilo e sentido (unidirecional ou bidirecional) da comunicação e tipo da interface.

Last clearing of “show interface” counters never: Mostra quando foram zerados os contadores da interface (no exemplo acima, nunca).

Queueing strategy: fifo: Tipo de fila utilizada na interface (Neste caso First In, First Out).

Output queue 0/40, 0 drops; input queue 0/75, 0 drops: Número de pacotes na fila de entrada e saída. Se tiver mais pacotes do que a fila suporta, eles serão descartados, incrementando o contador “output drop”.

5 minute input rate 270000 bits/sec, 174 packets/sec: Média de bits e pacotes recebidos por segundos. Para mudar o tempo de coleta destas informações use o comando “load-interval” na interface.

5 minute output rate 1977000 bits/sec, 226 packets/sec: Média de bits e pacotes transmitidos por segundos. Para mudar o tempo de coleta destas informações use o comando “load-interval” na interface.

runts: Pacotes descartados por não terem o tamanho mínimo (64 bytes, no caso do ethernet).

giants(Jabber): Número de pacotes descartados por excederem o tamanho máximo. Por padrão são considerados giants pacotes ethernets maiores que 1518 .

throttles: Número de vezes que o receptor na porta foi desativada, possivelmente devido à sobrecarga de buffer ou processador.

input errors: Número total de erros, incluindo runts, giants, falta de buffer, CRC, frame, overrun e ignored counts.

CRC: O Cyclic Redundancy Checksum aponta erros físicos normalmente, como configuração de velocidade e duplex diferentes (de um lado está configurado full-duplex e no outro equipamento half-duplex), por exemplo. Problemas desse tipo são verificados olhando o checksum do pacote recebido.

frame: Número de pacotes recebidos que tem erro de CRC ou algum problema na estrutura do frame.

overrun: Número de vezes que a interface não foi capaz de entregar os dados recebidos para o buffer, porque a taxa de entrada excedeu a capacidade do receptor. Muitas vezes ocorre por que a utilização da CPU está alta (acima de 80%). Se o número aumentar rapidamente verifique a utilização da CPU usando o comando “show processos CPU “.

ignored: Número de pacotes recebido, mas ignorados, por problema no buffer. Excesso de tráfego, Broadcast storms e bursts of noise podem causar o incremento deste contador.

watchdog: Número de vezes que aconteceu um “timer expired” no watchdog. Isso acontece quando é recebido um pacote maior que 2048.

input packets with dribble condition detected: Informa quanto frame “pequenos” foram recebidos. Contador apenas informativo, já que o roteador aceita estes pacote (pacote maior que que os runts).

packets output: Número total de pacotes transmitidos.

bytes: Total de bytes transmitidos.

underruns: Número de vezes que o transmissor enviou dados mais rápido do que o roteador poderia receber. Algumas interfaces podem não trazer esta informação.

output errors: Todos de erros que impediram a transmissão dos datagramas para fora da interface. Observe que se somarmos os erros apresentados anteriormente o valor pode ser diferente deste (alguns erros não se enquadram em nenhum das categorias acima, mas são considerados pelo “output errors”).

collisions: Número de mensagens retransmitidas por causa de colisão no meio (Ethernet). Colisões podem ser causadas pelo uso de hubs, excesso no cascateamento de switches, configuração divergente quanto a velocidade e duplex, entre outros.

interface resets: Número de vezes que a interface foi resetada. Isto pode acontecer quando os pacotes que estão na fila para transmissão não são transmitidos em alguns segundos. Quase sempre ocasionado por congestionamento da rede.

babbles: Indica quantas vezes o tempo para a transmissão de pacotes jabber expirou.

late collision: Número de “late collision”, que são colisões que ocorrem após o a transmissão do preambulo. Podem ocorrer quando a rede é muito grande ou é grande a distancia entre os equipamentos.

deferred: Este contador é incrementado quando a interface tem que esperar a confirmação do “carrier” para realizar a transmissão.

lost carrier: Número de vezes que o “carrier” foi perdido durante a transmissão.

no carrier: Número de vezes que o “carrier” não esteve presente para a transmissão.

output buffer failures: Número de erros causados por falta de recursos na saída (transmissão).

output buffers swapped out: Número de pacotes trocados com a memória DRAM.

Até a próxima.

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O início do Google

Por André Ortega, 28/08/2009 20:05

O pessoal é criativo…

Google no início

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Access-list dinâmica (Lock-and-Key)

Por André Ortega, 26/08/2009 05:53

Access-lists dinâmicas são ferramentas interessantes, que podem, por exemplo, nos permitir identificar o usuário antes de dar acesso a um determinado recurso (Lock-and-key).

Com o Lock-and-key configurado, o usuário pode ter acesso a uma host ou rede que era bloqueado inicialmente. Para isso o usuário deve primeiro se autenticar no roteador, via Telnet. Após autenticado a ACL dinâmica é inserida na interface, permitindo o tráfego. Após o tempo limite configurado a ACL é removida, voltando ao cenário inicial (tráfego negado).

Exemplo: Neste cenário o roteador BrainRT01 não permite nenhum tipo de tráfego, além do Telnet para sua Loopback. Apenas após o usuário do Host1 se autenticar ele poderá ter acesso ao Server1.

Topologia - Lock and Key

! Crie um usuário (ou quantos desejar), para autenticação local
username brainwork password cisco123
!
! Crie uma Loopback que será usada para autenticação. Também é possível usar a interface física.
interface Loopback0
ip address 172.16.1.1 255.255.255.255
!
! A primeira linha na ACL 101 permite apenas o Telnet para autenticação (loopback)
access-list 101 permit tcp 1.1.1.0 0.0.0.255 host 172.16.1.1 eq telnet
! Entrada dinâmica na ACL 101, que permitirá acesso total, após autenticação
! Neste exemplo ela ficará ativa 30 minutos após a autenticação, com ou sem tráfego
access-list 101 dynamic testlist timeout 30 permit ip any any
! Aplique a access-list 101 na interface por onde o usuário se conectará
interface FastEthernet0/1
ip address 1.1.1.1 255.255.255.0
ip access-group 101 in
!
line vty 0 4
password cisco
! Indique que a autenticação será local
login local
! Após se autenticar será encerrado o Telnet, e se não tiver atividade a sessão é finalizada, após 5 minutos
autocommand  access-enable host timeout 5

Após configurar o roteador o usuário do Host1 deve dar um Telnet no IP 172.16.1.1, e informar o usuário e senha configurados.

Lock-and-key

Imediatamente após a conexão o usuário é desconectado, afinal ele não deve ter acesso ao equipamento propriamente. Alias CUIDADO:  Após habilitar o comando “autocommand  access-enable host timeout 5” na line, o acesso ao equipamento deverá ser feito pela console!!!

Com o usuário autenticado, a ACL dinâmica é adicionada e o usuário passará a ter acesso, como desejado.

Access-list antes da autenticação:
BrainRT01#sh access-lists
Extended IP access list 101
10 permit tcp 1.1.1.0 0.0.0.255 host 172.16.1.1 eq telnet (53 matches)
20 Dynamic testlist permit ip any any
permit ip host 1.1.1.2 any (12 matches) (time left 599)
BrainRT01#

Access-list depois da autenticação:
BrainRT01#sh access-lists
Extended IP access list 101
10 permit tcp 1.1.1.0 0.0.0.255 host 172.16.1.1 eq telnet (41 matches)
20 Dynamic testlist permit ip any any
permit ip host 1.1.1.2 any (320 matches) (time left 599)
BrainRT01#

Informações sobre o impacto na performance, pré-requisitos e outros, podem ser encontrado nestes dois links: Link 1, Link 2.

Até a próxima.

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Wayback Machine: o arquivo da Web

Sabemos que as comunicações remotas pela internet existem há mais de 50 anos. Porém, a World Wide Web ainda é nova: somente 20 anos!

No começo, o "www" era restrita ao meio acadêmico, mas hoje há mais de 2 bilhões de usuários, 1 trilhão de URL’s…
Ocorreram muitas mudanças, e recursos talvez inimagináveis antigamente, hoje são comuns e facilmente encontrados em páginas da web.

O site da Cisco, em 1996, pode dar-nos uma idéia de como eram as páginas nesta época:

Site da Cisco - 1996

Para os usuários mais novos, um conteúdo curioso… para os veteranos, a lembrança de como era no começo: o Wayback Machine nos leva ao passado, e conta um pouco da história da Web.

Até breve!

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NAT – Network Address Translation: Parte 1 – Conceitos

Por Rafael Leão, 21/08/2009 17:43

Com o crescimento dos usuários da internet a partir dos anos ‘90, tudo indicava que o range de endereços que o IPv4 disponibiliza não seria suficiente para todos os usuários e organizações; então, sentiu-se a necessidade de aumentar o espaço de endereçamento. Partindo desta idéia, duas soluções principais foram criadas: IPv6, e o NAT (obs.: o IPv5 foi apenas uma idéia experimental de otimização do IPv4, mas não chegou a ser implementado).

NAT e endereçamento privado, são dois padrões que trabalham juntos. O NAT provê acesso a internet para qualquer endereço inválido dentro de uma organização. Faz com que os usuários internos acessem a internet representados por endereços roteáveis, ou válidos. Mas também pode ter aplicações dentro das organizações, para proteger servidores, DMZ’s, acesso a ranges de IP sobrepostos, VPN, e etc.

O processo de Tradução

O NAT lê os campos de destino ou origem do cabeçalho IP e os altera (traduz) para o endereço válido, quando o pacote sai ou chega na organização, e faz o devido encaminhamento ao host de destino.

Tipos de NAT

NAT dinâmico: um pool (ou range) de endereços válidos cedidos à organização é associado dinamicamente a endereços internos, conforme as solicitações de acesso à internet. Porém esta solução é limitada, pois estes endereços são associados um-para-um, até que este range termine. Sendo assim, se algum outro usuário necessitar acesso, este não será possível, pois todos os endereços estão sendo usados.

Exemplo: temos um range com 6 endereços válidos – 200.20.20.0/29, e temos 254 endereços inválidos: 10.10.10.0/24. Os 6 primeiros a tentarem acessar a internet terão sucesso ao passar pelo NAT:

Original Traduzido
10.10.10.5 200.20.20.1
10.10.10.28 200.20.20.2
10.10.10.96 200.20.20.3
10.10.10.126 200.20.20.4
10.10.10.201 200.20.20.5
10.10.10.238 200.20.20.6

Mas a partir daí, a tabela do NAT fica completamente preenchida, e não há mais espaços para qualquer um que queira se conectar.

NAT estático: um endereço válido é associado estaticamente à um único endereço inválido, um-para-um.

Exemplo:

Original Traduzido
10.10.10.1 200.20.20.1

NAT Overload, ou PAT – Port Address Translation: um único endereço pode representar diversos internos. Cada um deles é representado por uma PORTA diferente, associado a este endereço global.

Exemplo: temos 3 endereços locais – 10.10.10.1, 10.10.10.2 e 10.10.10.3. Suponha que o IP do gateway para internet é 200.20.20.1. Ao passar por esta interface, o NAT traduzirá estes endereços da seguinte forma:

Original Traduzido
10.10.10.1 200.20.20.1:1025
10.10.10.2 200.20.20.1:1026
10.10.10.3 200.20.20.1:1027

E assim por diante, com qualquer endereço interno. Quando vierem os pacotes de volta, o NAT irá ler a porta, e encaminhará ao seu respectivo endereço interno.

Representação das Redes

Topologia 1

Inside: todo o range de IP’s que pertence à organização, inclusive seu IP válido na internet.

Outside: na perspectiva da rede interna, os IP’s válidos que serão acessados. Como por exemplo, a internet, um servidor remoto, etc.

Representação dos Endereços

Considere a seguinte topologia na perspectiva do usuário dentro da organização:

Topologia 2

Inside Local: endereço original – e inválido – do host, que o representa dentro da organização.

Inside Global: endereço traduzido do host interno, que o representa na internet.

Outside Local: endereço que representa um host remoto dentro da organização; aquele que o usuário da rede local realmente enxerga. Observer que, neste caso, este endereço não precisa ser alterado para alcançar a rede interna.

Outside Global: endereço válido que representa o host na internet, para qualquer um que o queira acessar.

Fique atento, que nos próximos dias estaremos postando mais sobre NAT.

Espero que tenha ajudado. Até breve!

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